A doutoranda em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (USP) pesquisa relações coletivas na educação, explorando gênero, território e poder em várias linguagens, com ênfase na performance. Utiliza arquivos para desafiar o poder estabelecido e busca memórias esquecidas sobre cidades e identidades femininas, recriando narrativas de forma colaborativa. Com “Eva do Gelo”, Marie espera o descongelamento de ovos de codorna em uma performance urbana, desafiando normas farmacopornográficas.
Na tarde de 12 de novembro de 2023, na Praça Roosevelt, ao lado da Igreja da Consolação, Marie Araújo vestiu jaleco, touca, máscara e luvas e montou um carrinho de aço com caixas transparentes para aguardar o descongelamento de uma barra de gelo com ovos de codorna — e conversou com quem passava. Na inscrição, a artista contou que Eva do Gelo nasceu como videoperformance, gravada em maio de 2023 no Jardim Botânico de São Paulo, e que para a SerformanceP a ação foi levada à rua, com uma placa que anunciava “ótimas condições de pagamento no pix, cartão e dinheiro” para provocar o diálogo com os transeuntes. A proposta entrelaça a normalidade farmacopornográfica, nos termos de Paul B. Preciado, a manipulação dos corpos e dos tempos que geram óvulos e uma possível prática do fim deste mundo.







