Natureza em fluxo
O corpo em trânsito com plantas, águas e ervas: da máscara ligada a uma planta viva, que fornece o ar de quem caminha pela cidade, à pesquisa nos biomas brasileiros e à cura pelo benzimento.
Exemplos de leitura
5ª edição
Em setembro de 2021, ainda em meio à pandemia, a SerformanceP abriu sua quinta edição com uma carta aos performers. Diante do contexto, a Mostra se apresentava como “um respiro de arte, pluralidade e abertura para perspectivas” que pudessem ajudar a superar as múltiplas crises, em níveis pessoal e coletivo. O evento de abertura pedia máscara, distanciamento e lotação controlada; de qualquer lugar do mundo, era possível acompanhar as apresentações e os bate-papos online.
A edição se armou em três frentes. Nas ruas, performers ocuparam o marco zero da cidade, na Praça da Sé, e a superfície cimentada do Vale do Anhangabaú — uma praça sobre uma avenida, com o rio que dá nome ao vale correndo mais abaixo —, e Isaac Trabuco transmitiu ao vivo sua caminhada pela Luz e pelo Bom Retiro até a Casa do Povo. Ali, a festa de abertura exibiu em tela grande a seleção de videoperformances. No YouTube da SerformanceP, as performances de rua foram transmitidas ao vivo, e lives e bate-papos aproximaram artistas de Melbourne, Buenos Aires e de várias cidades brasileiras.
A seleção de videoperformances partiu da história do próprio formato. Desde os anos 1960, com o barateamento dos equipamentos, o vídeo se tornou plataforma frequente para performances, happenings e outras manifestações disruptivas; no Brasil, ganhou força nos anos 1970, em trabalhos de artistas como Hélio Oiticica e Letícia Parente, sempre ligado a questionamentos estéticos, sociais e políticos. As obras escolhidas foram apresentadas em cinco eixos, aqui tratados como lentes.
5 lentes
As lentes não rotulam as obras: qualquer obra pode ser lida por qualquer lente. Os exemplos abaixo são leituras possíveis, não uma classificação.
O corpo em trânsito com plantas, águas e ervas: da máscara ligada a uma planta viva, que fornece o ar de quem caminha pela cidade, à pesquisa nos biomas brasileiros e à cura pelo benzimento.
Exemplos de leitura
Violências que não ficaram no passado: a ditadura, o racismo que ainda mata, a colonização entranhada na subjetividade e os discursos de ódio, revisitados pelo corpo.
Exemplos de leitura
Corpos que afirmam o direito de existir e de ocupar a cidade: a luta LGBTQIAP+ carregada pelas ruas, o renascimento queer, os pactos de afeto postos à prova.
Exemplos de leitura
Rituais, magia, circo e palhaçaria: a performance como transformação de quem faz e de quem assiste.
Exemplos de leitura
Mulheres em travessia — pelo Atlântico, pela imigração, pelos mitos de deusas — e o prazer e o corpo feminino como afirmação diante do patriarcado.
Exemplos de leitura