Movendo-se com a solenidade de quem carrega algo precioso, o artista conduz um galão vazio como cápsula simbólica do que já não flui. Protegido por luvas, envolve o objeto com tecido branco, velando o vazio em um ritual de silêncio, lentidão e cuidado. Um corte cerimonial no cotidiano — luto sutil pela água ausente.
No Riacho Grande, em 17 de agosto de 2025, Pio Santana, todo de branco, de luvas e óculos escuros, atravessou o deck e o gramado à beira da Represa Billings com um galão de água azul, vazio. Ergueu-o acima da cabeça, levou-o à boca, abraçou-o e, ajoelhado sobre um tecido branco estendido no chão, envolveu-o até virar um volume branco, que carregou nos braços pela margem da represa.





















